Cidade do Rock, 13 de setembro de 2024: e finalmente a espera acabou!

A Cidade do Rock abriu suas portas para a celebração histórica dos 40 anos do Rock in Rio, o maior festival de música e entretenimento do mundo.

E quem recebeu de braços abertos os primeiros fãs que entraram no evento foi o criador do festival Roberto Medina e a vice-presidente executiva da Rock World, Roberta Medina.

Nem mesmo o calor escaldante foi capaz de tirar a alegria dos fãs, que se refrescaram nos postos de hidratação e nas estações de aspersores.

Abrindo o Palco Mundo, a Esquadrilha Céu apresentou um ballet aéreo de tirar o fôlego, com show piroténico e fumaça nas cores do festival.

E os shows do primeiro dia foram eletrizantes, como a megaprodução de Travis Scott que, literalmente, incendiou a Cidade do Rock, além de um inovador espetáculo de videomapping e fogos, sincronizados com a música, que emocionou a todos do começo ao fim com elementos de edições anteriores.

O inédito Global Village, refletindo a diversidade e a cultura dos seis continentes, trouxe uma arquitetura cuidadosa e nova para o parque, enquanto o Palco Sunset, em nova localização, trouxe toda a energia dos talentos do trap, como MC Cabelinho & Coral das Favelas.

A noite marcou o início das celebrações que reafirmaram a magia única do Rock in Rio.

O primeiro dia de festival trouxe momentos emocionantes tanto nos palcos quanto no teatro, com as primeiras sessões do musical “Sonhos, Lama e Rock and Roll”, que narra a história do festival.

Roberto Medina, presidente e criador do Rock in Rio, se emocionou em uma das exibições ao ver sua própria trajetória ganhar vida no palco. Sob o olhar atento do diretor geral Charles Möeller, presente nas sessões desta sexta-feira, o musical conquistou uma plateia entusiasmada, encantada a cada performance.

Para enfrentar o calor, os fãs puderam se hidratar ao longo do dia, nos mais de 175 bebedouros com água potável gratuita espalhadas na Cidade do Rock. Também nesta edição foi permitida a entrada no evento com garrafas plásticas com tampa de até 500ml contendo água.

A nova parceira do festival, a Iguá, concessionária de saneamento que atende a 19 bairros da Zona Oeste, distribuiu “aguadeiros”, profissionais que circularam em locais estratégicos, para distribuir água gelada ao público. Eles enchem as garrafas dos fãs e distribuem copos biodegradáveis. Para deixar o clima ainda mais fresco e divertido, a Iguá também levou ao festival vaporizadores refrescantes, para borrifar água gelada no público, tornando a sensação térmica mais agradável ao público.

Já a Natura atuou com mochileiros espalhados pelo gramado, e pela entrada do parque, distribuindo protetor solar para os fãs.

O primeiro dia do Palco Mundo no Rock in Rio começou com a apresentação de Matuê, que se destacou com sua mistura única de trap e funk. Com Wiu e TETO como convidados especiais, o rapper agitou a multidão com um show vibrante, cheio de hits como “Quer Voar” e “Máquina do Tempo”, que aqueceram o público para o que vinha mais tarde.

Logo depois, finalmente, depois de muitas dúvidas, Ludmilla fez sua estreia no Palco Mundo com um repertório diversificado que foi do funk ao trap e ao pagode.

O corpo de baile, em certos momentos, no palco, lembrava as cenas mais quentes dos clipes de Lil Nas X e de suas polêmicas apresentações.

Ludmilla trouxe ao palco o MC Daniel, segunda apresentação do cantor, no primeiro dia do festival, em que ele participava num dueto de “Não Para”, recentemente lançada pelos dois.

E cheio de atitude, 21 Savage subiu no Palco Mundo.

Shéyaa Bin Abraham-Joseph, conhecido por seu nome artístico 21 Savage, é um rapper, compositor e produtor musical britânico, foi levado por sua mãe para Atlanta, Estados Unidos, aos sete anos de idade, onde se envolveu com gangues e foi expulso permanentemente das escolas por porte de armas, e se dedicou ao crime, focando em furtos e tráfico de drogas.

Sua vida é marcada por tragédia, violência e até problemas burocráticos de migração. Ele perdeu o irmão Quantivayus, morto a facadas. Em homenagem, Savage tatuou uma adaga no meio da testa.

Quando fez 21 anos sua vida mudou: durante uma briga entre gangues, ele foi baleado seis vezes e viu seu melhor amigo morrer. Esse evento trágico o fez abandonar o mundo do crime e deu origem ao nome artístico 21 Savage. Fora algumas cicatrizes que ainda carrega na pele.

Ele ficou conhecido em Atlanta com o lançamento da mixtape The Slaughter Tape, em 2015 e conquistou atenção no cenário com o lançamento do álbum Savage Mode, em 2016, com colaboração de Metro Boomin, e a participação no single “Sneakin”, lançado por Drake.

Atualmente é considerado um dos maiores nomes do trap. O artista já gravou com Travis Scott, Drake e Post Malone. Vencedor de vários prêmios musicais.

Conhecido por seu estilo distintivo no rap, o rapper britânico animou a plateia com uma série de sucessos e uma presença de palco firme.

Fez com que a plateia desfrutasse de um show de qualidade e sobre com grandes hits do astro inglês.

Encerrando a noite, o headliner Travis Scott trouxe, com um atraso de 40 minutos, um show com uma combinação impressionante de efeitos visuais, som de qualidade ímpar, iluminação, fogo, muita fumaça e uma trilha sonora hipnotizante.

De Houston ao topo do rap mundial, o astro nascido em Houston, no estado americano Texas, começou produzindo beats para músicos locais e chamou atenção de Kanye West, com quem trabalhou na produção do álbum “Yezzus” e em faixas do projeto “Watch The Throne”.

Travis Scott entregou em seu show Circus Maximus Tour muito mais que os fãs no Rock in Rio esperavam. Foi épico e psicodélico.

De “Astroworld” vieram também “Highest in the Room” e “No Bystanders”, numa sequência que teve ainda sucessos antigos como “90210”, “Mamacita” e “Antidote”, além das cinco vezes de “Fe!n” e o hit “Goosebumps” na apresentação carioca.

O rapper norte-americano fez sua estreia no festival, consolidando sua posição como um dos maiores nomes da música atual. Circus Maximus Tour apresenta universo de Utopia, projeto com estética pós-apocalíptica que reflete nos figurinos, cenários e efeitos especiais.

Com um palco que atravessava parte da plateia chegando até à house mix cheio de destroços, rochas e que em alguns pontos soltavam muita fumaça e fogos.

O palco é uma nova tendência dos novos astros como The Weeknd vem trazendo em suas apresentações pelo Brasil, nos últimos meses.

A cidade do rock por conta da cenografia do palco de Travis ganhou mais duas torres gigantescas.

A épica apresentação de encerramento do Palco Mundo no primeiro dia do festival de comemoração de 40 anos de existência ficará na memória de todos que ali estiveram.

Nunca nada similar já foi visto. De fato, foi um show para ser lembrado por toda a vida. Algo que lembrava o cenário do clássico cinematográfico Mad Max.

Em certo momento da apresentação nos telões são projetadas duas turbinas enormes e todas as luzes ficam vermelhas.

A plateia era formada por pessoas de 11 até 110 anos, mas com exceções de crianças, ainda, mais novas.

Não dá para entender o que o astro faz com a plateia. Ele tem algo de hipnotizador. E tem muita vitalidade, presença de palco e é extremamente atencioso com os seus fãs.

A apresentação tem uma combinação de cores, sons, luzes, fumaças e fogos.

Em certo momento tudo fica cinza, monocromático, você já não sabe se está em um sonho ou em um pesadelo.

O som é de ótima qualidade e nas alturas, junto com o fogo e fumaça. Muito fogo, tanto na vertical quanto na horizontal, proveniente das torres extras e com ele vem junto muito calor.

A plateia não para por um minuto no lugar. Mesmo

porque se você parar você é pisoteado. Sim, torna-se algo ligado ao instinto de sobrevivência. Ou você pula junto com os demais ou é pisoteado. Você escolhe.

E pula todo o mundo. Pula velho, pula novo, preto, branco, amarelo, gordo, magro, homem, mulher…

E tem sinalizadores vermelhos, no meio da plateia, que sinceramente não sei se fazem parte do show e foram levados pela produção ou se foram de alguma forma levados pelo próprio público.

Acho difícil algum show superar essa apresentação nesta edição de comemoração aos 40 anos de existência do Rock in Rio.

E mais: com certeza foi uma das apresentações mais marcantes de todas as edições do festival.

E depois ocorreu, ainda, um after inesquecível. Mas esse é impublicável.

E vamos lá, que hoje, ainda, é o segundo dia.

P.S. – Se antes Roberto Medina fazia acordos com a fundação que incorpora o Cacique Cobra Coral para o tempo ficar com sol durante os dias de festival, desta vez, com certeza, ele fez um acordo para que a temperatura, durante o show de Travis Scott, ficasse agradável. Surpreendentemente, durante o show, no meio do caos, vinha uma brisa gelada que acalmava os ânimos, dava uma sensação de alívio e tranquilidade no meio de tudo que estava acontecendo.

Texto

CÉSAR OLIVEIRA

Imagens

CÉSAR OLIVEIRA

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Editor  César Oliveira