Sim, esqueça o Canadá.
Abel é cria.
E foi revelada a origem de Abel Makkonen Tesfaye, vulgo The Weeknd.
Ele é carioca!
Sim. Abel é carioca, mais especificamente, do Morro do Borel.
Frequentou os bailes black, muito influenciados por artistas como James Brown e Kool & The Gang. Bailes da Cidade de Deus, Complexo do Alemão e da Rocinha.
E mais: vale ressaltar um ponto importante, nos anos 80, o funk ainda não era exatamente o funk carioca como a gente conhece hoje. Ele começou a ganhar identidade própria mais no fim dos anos 80 e início dos 90, com equipes de som, como a Furacão 2000.
Abel não satisfeito, frequentou muito a Boate Babilônia, na Zona Sul do Rio, do Chico Recarey que foi um dos grandes empresários da noite carioca.
A casa fazia parte do circuito sofisticado da noite do Rio, mas ao mesmo tempo dialogava com a cena black que vinha crescendo forte na cidade.
Mais velho, Abel frequentou o Resumo da Ópera, na Lagoa, foi na Sweet Home, ali perto e frequentou assiduamente a Nuth, na Barra da Tijuca. Lembra aquele clima buziano? Praia da Tartaruga….
E mais!
Ele é filho da fogueteira!
Isso mesmo que você está lendo!
Lembra-se dela?
Da “Fogueteira do Maracanã”, o nome dela era Rosenery Mello. Ela se tornou uma das figuras mais icônicas (e improváveis) da história do futebol brasileiro devido ao incidente em 1989.
No dia 3 de setembro de 1989, Brasil e Chile jogavam no Maracanã pelas Eliminatórias da Copa de 90. O Brasil vencia por 1 a 0 quando, aos 24 minutos do segundo tempo, Rosenery (então com 24 anos) acendeu um sinalizador de navio e o lançou no gramado.
O artefato caiu perto do goleiro chileno Roberto Rojas, que desabou no campo. Ele saiu de maca, com o rosto ensanguentado, e o time do Chile abandonou a partida alegando falta de segurança.
E para piorar o que parecia um crime de Rosenery revelou-se uma das maiores farsas do esporte:
– A prova: fotos de jornais, especialmente do fotógrafo Ricardo Cassiano, mostraram que o sinalizador caiu a cerca de um metro de Rojas, sem atingi-lo.
– A gilete: Rojas confessou anos depois que escondia uma lâmina de barbear na luva e cortou o próprio supercílio para simular o ferimento e tentar cancelar o jogo (o que daria a vitória ao Chile).
Após o episódio, ela passou por uma montanha-russa de emoções:
Prisão e inocência: chegou a ser presa em flagrante, mas foi solta assim que a farsa de Rojas começou a ser desmascarada.
Fama instantânea: tornou-se uma celebridade nacional, ganhou o apelido de “Fogueteira” e chegou até a ser capa da revista Playboy em novembro de 1989.
Isso só para justificar o gosto de Abel pelos efeitos pirotécnicos.
Mas, brincadeiras à parte, no domingo dia 29 de abril de 2026, o Rio de Janeiro presenciou uma das mais marcantes apresentações de um cantor pop em um show com público pagante da atualidade.
Foi a apresentação do canadense, Abel Makkonen Tesfaye, ou The Weeknd, como é conhecido.
Um dos maiores astros do pop e R&B moderno. Abrindo sua turnê Brasil.
Sua agenda:
Diferente dos artistas fabricados para o TikTok, que buscam a fama imediata, Abel surgiu postando músicas no YouTube em 2010 de forma totalmente anônima. Diferente de muitos.
Ninguém sabia qual era o rosto por trás daquelas batidas sombrias e letras sobre excessos e melancolia.
Essa aura de mistério definiu a estética Dark R&B que influenciou toda uma geração.
Ele conseguiu uma transição rara: de um artista underground e alternativo para um ícone do pop global, sem perder sua essência.
O Abel não apenas canta. Ele interpreta personagens.
Quem não lembra da fase de After Hours, onde ele passou meses aparecendo em premiações com o rosto cheio de bandagens ou maquiagem de hematomas?
Ele usava o visual para contar uma história sobre a autodestruição que a fama e o estilo de vida de Hollywood podem causar.
Vale lembrar que o Abel tem um carinho especial pelos fãs brasileiros.
Ele já esteve por aqui algumas vezes e em São Paulo, em setembro de 2024, em um dos seus shows mais ambiciosos, com uma estrutura de palco monumental foi feita uma transmissão global, reforçando que o público daqui é um dos pilares do seu sucesso atual.
Ele já mencionou em entrevistas que deseja matar o personagem The Weeknd, em breve.
O plano é encerrar essa trilogia atual (After Hours, Dawn FM e o próximo álbum, Hurry Up Tomorrow) para talvez seguir carreira usando apenas seu nome de batismo, Abel.
Esses shows do The Weeknd no Brasil em 2026 são o ponto alto da turnê After Hours Til Dawn.
E a expectativa é gigantesca porque ele está apresentando a fase final da sua trilogia, com o novo álbum Hurry Up Tomorrow.
Anitta faz a abertura oficial.
E a nossa pequena notável, ao contrário do ventilado na imprensa, não canta apenas uma música na abertura do espetáculo de Abel.
Ela apresentou inúmeros hits. E conta com sua trupe .
Canta, dança e inclusive apresenta mais uma música em parceria de Abel: Rio.
A música Rio, como a própria cidade do Rio de Janeiro, mistura o funk brasileiro com o pop eletrônico/synth-pop The Weeknd.
A apresentação contou com fogos, efeitos visuais e clima bem cinematográfico e, ainda, não foi lançada oficialmente nas plataformas.
Lembrando que essa não é a primeira parceria deles.
Já temos São Paulo, que misturava funk com o som internacional do Abel.
Nossa pequena, ou melhor, gigante Carmem Miranda, dos tempos modernos, aparentava estar muito serena, feliz e realizada no palco.
Vale destacar que a pequena notável tem o fôlego de 10 onças do Pantanal. Vejamos.
Ela se apresenta com Abel no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril, no Engenhão, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1º de maio, no Estádio do MorumBIS e não satisfeita ela se apresenta com Shakira, a Loba, no Todo Mundo no Rio, no dia 02 de maio. nas areias de Copacabana.
Anitta fez quase um show completo, na noite do Rio de Janeiro. Apresentou músicas novas, antigas, dançou, beijou na boca sua dançarina marmita, rebolou muito e fez muita gente rebolar, também.
Podemos dizer que a sua Pomba Gira estava virada no jiraya, naquela noite, literalmente. Sua energia estava contagiante.
Anitta estava visivelmente feliz, e não era por menos, estava em sua cidade natal, apresentando novos hits e cantando os antigos, com uma aparência ótima e leve.
E mais: lançou Rio, no Rio de Janeiro de surpresa com Abel. E apresentou trabalhos de sua nova etapa musical.
Essa sua nova era é mais religiosa, como as demais estrelas do pop estão apresentando, como MIA e Rosalía.
Anitta parece mais leve, feliz e completa, no palco.
O público foi surpreendido de várias formas e a respondeu à altura. Não parou um minuto.
Depois veio Abel.
Ele subiu ao palco com milhões de explosões, 32 dançarinas, fogos, lasers, papel picado e fumaça.
Ele preparou um show longo, com cerca de 40 músicas.
O foco é a nova era, mas ele não deixa de fora os clássicos:
A cenografia é uma das mais caras da história. No palco, se vê:
É um momento histórico porque o próprio Abel já deu a entender que esta pode ser a última vez que ele se apresenta como The Weeknd.
A partir de agora, a tendência é que ele assuma apenas a identidade de Abel Tesfaye.
Se este for mesmo o fim do personagem The Weeknd, ele não poderia ter escolhido um palco melhor.
No palco ele estava elétrico.
Diferente da sua última apresentação no Rio de Janeiro que foi, literalmente, debaixo d’água.
A apresentação de domingo contou com um céu de brigadeiro que colaborou muito com o desenrolar da apresentação.
O astro apresentou todos os seus hits, lançou sua nova parceria com Anitta, Rio, na cidade do Rio de Janeiro que enlouqueceu toda a plateia, com suas dançarinas e milhões de efeitos pirotécnicos.
Abel estava também em êxtase. Ele é extremamente carismático.
Ouso até afirmar que, no momento, que os dois dividem o palco, simultaneamente, ele demonstrou um sorriso com segundas intenções para nossa Girl from Rio. A química era evidente.
Em todas as músicas Abel interage diretamente com sua plateia. São fãs de todas as raças, idades e credos.
Impressiona a diversidade e a criatividade do público.
Alguns de máscaras, outros de capas, com cartazes iluminados.
Abel faz questão de cumprimentar vários e sorrir. Ele é acessível.
Enfim foi uma apresentação épica.
O público que estrava na apresentação do Rio de Janeiro nunca vai esquecer.
Abel foi muito feliz em sua apresentação na Cidade Maravilhosa.
Considerações finais:
– O Engenhão parece uma Air Fryer gigante. É muito quente, não circula ar. Deveriam proibir shows nessa arena.
– Os leques vieram para ficar. É para criança, para velho, homem, mulher, etc.
Deveriam ser declarados Patrimônio da Humanidade…a temperatura no Engenhão chegava a ficar razoável quando eles eram abanados freneticamente. Era o que salvava a plateia.
– O Cheiro do Sucesso?
Podre.
Após o show da Patroa Cabral a plateia fedia a carniça.
Isso porquê Anira ficou uma hora direto no palco. E o público não para por um segundo com ela cantando, dançando e pulando. Era um cheiro de podre inimaginável. O que salvou foram os leques, novamente.
– Anitta pode providenciar o CPF de Abel aqui no Brasil.
Ele é total carioca. Ele tem toda ginga carioca. Até a dança com a cabeça que a Fat Family fazia ele fez no show.
– Pode ajustar um puxadinho para ele em sua mansão e um anexo para as 32 dançarinas dele, com uma bela lavanderia para lavarem àquele figurino que deve estar no ponto de miséria… fedendo demais.
– As 32 dançarinas devem estar até agora tomando banho para tirar a murinha do show…elas ficavam, com aquela vestido, tipo uma burca vermelha até o pé, o show inteiro, isso é, pulando, girando, correndo, dançando no meio dos fogos e da fumaça.
– Alguém dê um bônus de insalubridade para essas mulheres! Elas merecem.
– A Heineken tem uma curadoria musical que está de parabéns.
Desde do Heineken Thirst que foi uma turnê mundial de música eletrônica patrocinada por ela no início dos anos 2000 a marca só vem surpreendendo o público com seus eventos musicais.
– E não querendo acirrar a rivalidade entre Rio e São Paulo, mas acho difícil Abel e Anitta superarem a apresentação carioca, por vários fatores: estavam na cidade natal dela, o céu de brigadeiro, o clima da plateia, porquê Abel é carioca e tem o molho.
– Abel, em certos momentos, lembra o rei do pop, Michael Jackson. Ou melhor, a versão musical de Jackson.
– O show termina com todos, literalmente toda a plateia, dançando como se estivessem em uma grande festa a céu aberto em êxtase.
– Toda a apresentação é perfeita, a qualidade do som, o palco, os figurinos, o cenário, as luzes, os efeitos especiais. A experiência é fantástica. Inesquecível.
– Abel é praticamente o Zeca Pagodinho do pop e R&B moderno.
– E por último, mas não menos importante. O respeito da produção com a plateia.
Em todos os momentos do show e em todos os pontos não há uma câmera ou filmadora da produção que atrapalhem a visão do público.

