O Circo é mágico, o Rio é encantador e a apresentação do Buena Vista Orchestra é fantástica

Buena Vista Social Orchestra encanta plateia em noite memorável no Circo Voador na Lapa

Buena Vista Social Orchestra faz apresentação impecável no Circo Voador, na Lapa, Rio de Janeiro. 

Na última sexta-feira, o público que lotou o Circo Voador foi transportado diretamente para a alma musical de Havana com a apresentação emocionante do Buena Vista Social Orchestra.

Em uma noite marcada por nostalgia, talento e muita emoção, o grupo cubano provou por que segue encantando gerações em todo o mundo.

A música tradicional de Cuba experimentou uma guinada surpreendente no final dos anos 1990, com o documentário indicado para o Oscar em 1999. O filme “Buena Vista Social Club”, do alemão Win Wenders, jogou luz numa geração de músicos esquecidos da ilha, colocando os ritmos daquele país de volta aos ouvidos do mundo.

O título do filme virou quase uma marca, sinônimo de música cubana da velha guarda — aquela dos grandes bailes dos anos 1940 que não fomos, mas que imaginamos — a música acalorada e cheia de paixão que privilegia gêneros como o son, o bolero e o danzón.

Após quase 30 anos depois do filme, a Buena Vista Orchestra — projeto que foi inspirado no filme — veio ao Brasil para uma série de shows.

Um palco que respira Cuba

Logo na entrada, o público já sentia o clima caloroso da ilha caribenha. O palco foi iluminado com efeitos que remetiam aos salões antigos de dança de Havana, com luzes amareladas, verdes e azuis.

Seria uma noite inesquecível.

Figurinos à altura da tradição

Com trajes elegantes e cheios de identidade, os músicos surgiram ao palco em ternos bem cortados, vestidos elegantes e boinas — respeitando a tradição visual dos salões cubanos.

A elegância era tamanha que, em certos momentos, parecia que estávamos assistindo a uma cena de um filme antigo sobre a boemia de Havana.

Talento que atravessa gerações

Mesmo com mudanças naturais ao longo dos anos, o grupo segue fiel à essência criada por Ry Cooder e pelos músicos originais.

O repertório, repleto de boleros, sons de son cubano e guajiras, foi conduzido com maestria por uma formação que mistura veteranos com jovens talentos, mantendo viva a chama da música tradicional cubana.

Entre os destaques da noite, estiveram interpretações arrebatadoras de clássicos como Chan Chan, Dos Gardenias e Candela.

O público, completamente envolvido, aplaudia incessantemente o grupo.

A casa cheia e o calor humano

Mas não foi apenas a música que emocionou.

O local, com lotação máxima, estava repleto de admiradores de todas as idades.

Era visível o encantamento nos rostos, dos mais velhos que dançavam incessantemente aos mais jovens que conheceriam o Buena Vista, apena, pela internet, até então.

O ambiente acolhedor da Lapa e de fácil acesso contribuiu para a atmosfera de celebração e respeito à cultura.

Não houve tumultos, filas extensas ou problemas de organização.

Tudo correu em perfeita harmonia, como pede um evento internacional deste porte.

Uma experiência para guardar na memória

O Buena Vista Social Orchestra mostrou, mais uma vez, que a música é capaz de atravessar fronteiras, idiomas e gerações.

Quem esteve presente no Circo Voador saiu tocado por melodias que falam de amor, poesia, saudade e resistência — elementos que fazem parte da história do grupo e do povo cubano.

O poder da música.

Em certos momentos durante a apresentação, o público era levado à antiga Havana, de outro giro, para uma típica missa gospel em NYC — nas igrejas famosas do Harlem e do Brooklyn — e, até mesmo, ao gueto de Carlinhos Brown, mais precisamente o Candeal Gueto Square, em Salvador, na Bahia, numa apresentação de Carlinhos Brown, com a Timbalada e o  Olodum.

Um show que não apenas homenageia o passado, mas reafirma a força da música como expressão universal e atemporal.

Texto

CÉSAR OLIVEIRA

Imagens

CÉSAR OLIVEIRA

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Editor  César Oliveira